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Mais de setenta anos de amizade
19/01/2010 09:56:56
As três comapanheiras conversaram e se divertiram muito com o encontro
Quem pensa que amizade não dura muito tempo esta enganado, pois no Vale dos Vinhedos três senhoras simpáticas são amigas de infância e se encontram há mais de setenta anos. Elvira Tereza Gozatti Festa de 89 anos, Elza Maria Giordani Milani de 84 anos e Lurdes Maria Valduga Festa de 81 anos, moradoras do 6 da Leopoldina no Vale dos Vinhedos não se reuniam há algum tempo para por os papos em dia. Então no último dia 12 de janeiro, incentivadas pelo vizinho e também amigo Remi Valduga e, junto com a reportagem do Jornal Vale dos Vinhedos as três amigas se encontram na casa de Dona Elvira e em meio a conversas, recordações, emoções e lembranças, também surgiram muitas risadas e animação das avós.
Cada uma recordou histórias da infância e juventude uma das mais animadas era Dona Elza. “A gente se encontrava muito nos bailes, missas, jogos de futebol e era sempre muito divertido”, comenta. Elza conta ainda que sua mãe faleceu muito nova, e seu pai casou-se com outra mulher. “Nunca fui muito namoradeira porque a esposa do meu pai na segunda-feira queria saber tudo o que eu tinha feito no fim de semana, e meu pai também era muito rígido”, lembra. Dona Elza teve somente um namorado, que conheceu em um dos bailes, e de acordo com ela os namoros de antigamente eram no domingo a tarde, o casal ficava sentado na sala com a madrasta ou o pai junto. “Não podia se dar nem mãozinha, meu primeiro beijo foi só depois de seis meses de namoro, o beijo foi no rosto e escondido, ninguém podia saber. Lembro que me deu um calorão, parecia o fim do mundo” diverte-se. Elza conta que casou com Ângelo Milani, e somente após o casamento conheceu a casa do marido. Elza teve oito filhos e tem seis netos. Quem recorda das brincadeiras de infância é Dona Elvira Gozatti Festa. “Brincava muito com meus amigos, em baixo de árvores, nos reuníamos para brincar de casinha, fazer comidinhas” lembra. Mas Dona Elvira também gostava muito dos bailes no 15 da Graciema, Santa Lúcia e no Casarão. “Me lembro que a turma toda ia a pé para os bailes, dai as moças ficavam sentadas e os rapazes é que às tiravam para dançar, não podíamos dançar menos de três músicas com cada rapaz e nem dar “carão”, ou seja, negar a dança, pois se ele não gostasse do “carão” podia proibirmos de dançar com os outros rapazes. Foi assim que conheci meu marido Luiz Emilio Festa, ele me ofereceu uma música na festa da Garibaldina aí dançamos e começamos a namorar. Casei com 25 anos e também foi meu único namorado, tive sete filhos com ele hoje tenho 16 netos e 3 bisnetos”, conta a orgulhosa. Já Dona Lurdes Maria Valduga Festa sempre conta para seus netos que precisou ajudar no trabalho da colônia desde novinha, pois seu pai Guilherme Valduga faleceu quando ela tinha apenas oito anos, ficando somente ela, os cinco irmãos e a mãe. “Quando eu tinha uns 14 anos uma de minhas irmãs teve que fazer uma cirurgia da apêndice, e na época se ficava no hospital oito dias, então minha mãe teve que cuidar dela, e isso aconteceu bem na época de colheita. Eu tinha que colher as uvas, e lembro que pedi ajuda para uma parente, depois de colhidas era preciso levar as uvas em um cavalinho pequeno até as proximidades da casa para que os carreteiros pegassem e entregassem na cantina de Garibaldi”, conta emocionada. Dos 13 aos 19 anos Lurdes deu aula de catequese para crianças menores. “Cada turma tinha em média 20 crianças, eu ensinava Ave Maria, Glória ao Pai, Pai Nosso, Ato do arrependimento e os 10 mandamentos, as aulas eram todos os dias”, recorda. Como as amigas Dona Lurdes gostava muito de ir aos bailes e foi em um desses bailes que conheceu seu marido Celeste Francisco Festa. Mas ao contrário das companheiras Dona Lurdes era mais descolada. “Fomos a um baile e naquele dia estávamos decididas a arrumar um namorado então eu mesma tirei ele para dançar, depois da dança ficamos conversando, no outro dia tinha uma festa na comunidade aí passei por ele e cumprimentei, logo veio falar comigo, foi ai que começamos a namorar”, revela. Lurdes e Elvira eram cunhadas, pois os maridos eram irmão, e acabaram morando por um tempo na mesma casa com os sogros. As duas conversando sobre o tempo que moravam juntas recordaram que no porão da casa do sogro Batista Festa havia uma cantina, e os filhos tinham que trancar a porta porque o senhor Batista adorava tomar um vinho mas não se controlava e como exagerava na quantidade acabava passando mal. Lurdes tem sete filho, 10 netos e 5 bisnetos.As três companheiras são viúvas, e com elas carregam muita alegria e saúde. Após tanta conversa, risada e trocas de receitas as três amigas montaram uma linda mesa com as guloseimas preparadas especialmente para o agradável reencontro. A baixo segue receitas, das nonas.
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